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Cia das Letras

Não entender

Memórias de uma intelectual

Tradução: Elisa Menezes

“Não é um livro de memórias. É um livro de memórias.” Com estas palavras hesitantes, Beatriz Sarlo, consideradas uma das mais importantes intelectuais latino-americanas de todos os tempos, inaugura seu autorretrato dos afetos e leituras que a formaram.

“Não é um livro de memórias. É um livro de memórias.” Com estas palavras hesitantes, Beatriz Sarlo, consideradas uma das mais importantes intelectuais latino-americanas de todos os tempos, inaugura seu autorretrato dos afetos e leituras que a formaram.

“Uma autoanálise de verdade.”

JÚLIO PIMENTEL PINTO

“Será possível escrever minha própria história?” — essa pergunta que é também um desafio leva Beatriz Sarlo, nome inescapável da intelectualidade argentina, brilhante comentadora política e crítica literária sem igual, a voltar seus olhos para o passado, na tentativa de recriar o fio de sua própria trajetória.

A ideia da incompreensão, que costura essas memórias, se estende para além das dificuldades com as obras literárias da infância, pairando sobre a tentativa de dar ordem a uma vida atribulada, que nunca se adequou aos rótulos, pois em todas as esferas de sua vida, Sarlo sempre rejeitou a adesão completa a credos e seitas, tornando-se uma estranha a todo grupo que a seduzia. Mais do que um exercício memorialista, Sarlo procura as zonas de sombra, tudo aquilo que não conseguiu compreender e que permanece enigmático, articulando reflexões fascinantes que se equilibram entre a autobiografia e o ensaio.