Tradução: Christian Schwartz
Para elucidar a formação da China contemporânea, Xinran foi em busca de homens e mulheres comuns com mais de setenta, oitenta anos (um deles tinha 97 e havia participado da Grande Marcha de Mao Tse-tung), das mais diversas regiões e de diferentes estratos sociais, e que sobreviveram à miséria e à fome, à invasão japonesa e à revolução, aos desastres do Grande Salto Adiante e às perseguições e humilhações da Revolução Cultural para chegar à modernização e ao espantoso crescimento econômico do início deste século. Não foi fácil obter depoimentos francos e espontâneos, pois os chineses têm uma longuíssima tradição de não falar aberta e honestamente sobre o que pensam e sentem, temerosos (com razão, como mostram algumas entrevistas) de que isso possa prejudicar não somente a eles, mas a todos os seus parentes e descendentes.
